Entrei na faculdade e agora?

Olá, hoje decidi recuperar uma das publicações do meu blog antigo, que teve mais visualizações. Parece-me muito apropriado para esta altura, em que as aulas estão a (re)começar. É uma altura de grande ansiedade tanto para alunos como para os pais e espero que estas dicas sejam úteis.

Esta publicação será mais indicada para quem é das ilhas e vai para Portugal Continental ou quem vai para longe de casa estudar porque foi essa a minha experiência, mas penso que algumas dicas poderão adaptar-se a todos. 


1. Saíram os resultados, eu fiquei colocada(o) no continente/longe de casa e agora?

O primeiro a fazer é visitar o site da faculdade e ver qual é o período das matrículas para o primeiro ano, ver a morada e tudo o que é necessário para chegar à faculdade e papelada necessária para a matrícula. Marca passagem para o mais cedo possível porque normalmente só tens uma semana para fazer a matrícula. Vai parecer que é pouco tempo para tanta coisa, mas acredita que consegues resolver tudo. Aconselho que vás com um familiar para ajudar no início.

Para a Madeira: Se viajares pela TAP tens direito a levar uma mala de mão e outra de porão até 23kg (ouvi dizer que se provares que és estudante, podes levar 32kg na mala, mas não sei muito bem como é que isso funciona porque nunca o fiz, quem souber diga nos comentários sff!). Se optares pela Transavia, podes levar uma mala de mão até 10kg, mas se quiseres levar mala de porão tens que pagar: 10EUR por 15kg e 15EUR por 20kg. Guarda sempre o cartão da viagem e o recibo para depois poderem receber reembolso nos correios. Ainda há pouco tempo, prometeram colocar as viagens com preço fixo, para os estudantes e residentes da Madeira (como acontece com os Açores) mas ainda não sei quando e se irá ser implementado.




2. Alugar casa

Normalmente, junto às faculdades ou na secretaria há anúncios de casas para alugar por isso não deves ter problema em encontrar um sítio. Contudo, há perguntas que deves fazer ao senhorio(a) que eu acho essenciais: "Na renda está incluído condomínio, água, luz?", "Passa recibo?", "Se quiser sair da casa, com quantos meses de antecedência tenho que avisar?". Vê se a casa tem as condições mínimas e visita várias antes de tomar a decisão final.


Muitas vezes vais encontrar senhorios que não passam recibo e normalmente, nesses casos, a renda é mais barata, mas isso significa que o aluguer daquela casa não é legal. Eu já vivi em ambas as situações e a via legal é sempre a melhor opção, até para ti próprio, pois estás mais protegido caso aconteça alguma problema. Contudo, a opção é tua.

Tem cuidado com a casa, não estragues a mobília nem sujes as paredes porque no final, o arranjo pode ter que sair do teu bolso.

Sai sempre mais barato dividir a casa com alguém. Se conheceres alguém que vá para a mesma faculdade que tu, junta-te a ele(a) e dividam as despesas. Mas tem em atenção que viver com outra pessoa não é fácil! As pessoas são diferentes e consequentemente, têm hábitos diferentes. Tenta sempre chegar a um acordo. Podes ter muita sorte e encontrar um bom colega de casa, mas infelizmente, também podes ter azar. De qualquer maneira, aconselho sempre a procurares casa com quartos separados pois assim cada pessoa tem a sua privacidade e há menos discussões.

Também podes optar por residências de estudantes e normalmente estas são a opção mais barata. Informa-te na faculdade sobre esta opção.


3. Despesas

Tem muito cuidado com os gastos porque é muito dispendioso viver no fora de casa. Tens que pagar casa, contas de água, luz, internet, propinas e viagens. O meu conselho? Regista todos os gastos porque assim tens mais controlo e sabes exactamente para onde vai o dinheiro, caso contrário, quando dás por ti, estás sem um tostão na conta e não sabes onde gastaste tanto dinheiro.

Compra apenas o que que necessitas e deixa o resto para comprar quando te sobrar algum dinheiro ou quando for alguma ocasião especial (aniversários etc.). Evita comer fora muitas vezes, só em ocasiões especiais. Cozinhar em casa sai mais barato. Se puderes ir a pé, vai, pois assim evitas gastar dinheiro em transporte.

Se achas que os teus pais não conseguem pagar os teus estudos e queres mesmo ter um curso superior, podes pedir um empréstimo para estudantes no teu banco. Estes empréstimos podem ir até cinco anos e até cinco mil euros por ano. Passa no teu banco e informa-te bem acerca de todas as condições. Podes ainda concorrer à bolsa de estudos. (No caso das ilhas - falo com mais certeza da ilha da Madeira - podes pedir a bolsa regional, a bolsa da Fundação Berardo - se tiveres média de secundário superior a 14 - e a bolsa na faculdade para onde vais estudar). Não é garantido que recebas todas, mas tentar não custa nada. Tem em atenção os prazos de candidatura!


4. As praxes

É normal estares assustada(o) com a praxe porque não sabes bem o que é e os telejornais fazem questão de mostrar sempre o lado negativo da coisa. A verdade é esta: ninguém te obriga a fazer nada que não queiras e se algo for contra os teus princípios, diz que não queres fazer e explica porquê. Ninguém te vai crucificar ou tratar mal! Claro que há casos e casos, e eu falo de acordo com a minha experiência. Este será sempre um tema controverso e cada um tem a sua opinião. Houve situações que não gostei e pessoas que não gostava que me praxassem, mas nunca ninguém me humilhou ou me fez sentir inferior. Gostei da praxe e o meu primeiro ano foi uma experiência incrível!

A má praxe não é culpa da praxe e sim culpa das más pessoas que a usam para humilhar e provar que são superiores.

Se ainda assim, não te sentires à vontade e não quiseres passar por isso, tens todo o direito e ninguém te irá tratar mal. É normal que no início te sintas mais afastado, porque quem está na praxe está mais unido por causa das actividades, mas a longo prazo isso passa.

Não uses a praxe como desculpa para não estudar! Eu fui a todas as actividades da praxe e não deixei nenhuma cadeira para trás, claro que também não passei à primeira e tive que ir a exame a muitas delas mas ainda assim consegui passar. Ninguém te vai praxar quando tens frequências ou exames. Organizem bem o vosso tempo.


5. Afinal este não é o curso que quero, o que faço?

Não desesperes! Se o curso que estás não é o que queres fazer o resto da vida, podes sempre mudar. Tens é que ter em atenção os prazos para te candidatares, está atenta ao site da faculdade que tem o curso que queres. Se te aperceberes disso logo no início, podes concorrer à segunda e terceira fases.

Eu fiz um ano e meio de enfermagem quando decidi mudar. Não foi fácil e uma vez que o curso que eu queria (ciências farmacêuticas) tinha uma média mais alta e eu vinha do politécnico (quem vinha de uma faculdade tinha prioridade), não consegui entrar por mudança de curso e tive que voltar a concorrer pelo método de candidatura normal. Não consegui entrar na primeira fase mas acabei por conseguir entrar em bioquímica na segunda fase. Com isto perdi dois anos, mas finalmente entrei na área que queria. Por um lado, não me arrependo de ter entrado em enfermagem, porque foi uma experiência que me fez crescer imenso e conheci pessoas espectaculares, mas por outro, gastei dinheiro desnecessariamente e perdi tempo.

Pensa muito bem naquilo que vais fazer e quanto mais tempo passar, pior é.


Resumindo:

Como tudo na vida, vais ter bons e maus momentos. Vais conhecer boas e más pessoas, vais fazer amigos para a vida e também és capaz de perder uns quantos! Vais aprender que tudo tem prazos e vais ver muitas injustiças. Vais amadurecer! Vais perceber que viver sem os pais tem os seus pontos positivos e negativos e vais ter muitas saudades (principalmente se fores das ilhas e só poderes ir a casa no natal, páscoa e verão).

Não sejas mau colega, ajuda quando for preciso e partilha apontamentos. Ninguém gosta de egoístas e pessoas que tentam passar a perna aos outros para ter notas mais altas. A média é importante, mas não é tudo!

Acho que falei no mais importante, mas se tiveres mais alguma dúvida não hesites em perguntar!

beijinho

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